9 de setembro de 2013

Rebouças e Assis


Dia desses andando pelo Jardim Botânico passei em frente ao Bar Rebouças. Mais uma das dezenas de vezes que beirei aquela pérola e não hesitei em entrar. Da porta avistei o cara. Cláudio Assis é um cineasta fantástico e louco, assim como eu (que sou apenas louco). Cumprimentamos-nos logo que cheguei. Pedi uma cerveja e puxei um copo pro cara. Durante a próxima hora o copo ainda estaria pela metade. Havia muitas pessoas em volta e eu percebi que ele já tinha bebido bastante. Tudo bem.

O Rebouças vive com figurinhas carimbadas, pouco depois chegou Toni Platão e Victorino Chermont (?). Todo mundo se conhece, se cumprimenta, toma uma dose de cachaça e segue seu rumo. Cláudio Assis estava fazendo hora para encontrar o filho. Disse que veio ao Rio receber um prêmio e que já estava de partida. Conversa vai sobre editais, o cara já ganhou cinco, conversa vem sobre experiências e “o que vem depois de Febre do Rato, Cláudio?”. Bom, Cláudio Assis é polêmico, seu primeiro longa é o já clássico Amarelo Manga, o desencanto com a paisagem humana continua em Baixio das Bestas e tem seu ápice no verborrágico personagem de Irandhir Santos em seu último longa.

O foco atual de Cláudio Assis é um curta-metragem bem peculiar que narra a história de um grupo de anões que recebe uma proposta indecente: utilizar um pó elaborado na América para fazê-los crescer. Ora, é preciso saber respeitar as diferenças da natureza e não interferir nelas. “Ninguém tem o direito de fazer os anões crescerem, cara!”. Concordei com a cabeça.

Bom, chegou a hora. Um dos garçons puxou a mala do “Assis” debaixo do balcão e lhe entregou. “Pendura a conta!”, disse o cineasta. Continuei no bar.

Revisões Periféricas (Matéria resgata de agosto)
Teve início na última quinta-feira a sétima edição do Festival Visões Periféricas que homenageia o multifacetado Marcelo Yuka. São mais de 80 filmes, curtas-metragens em sua maioria, divididos entre mostras competitivas e paralelas pela cidade do Rio.

Grande parte dos realizadores é formada por novos cineastas em busca de espaço. Os locais de exibição variam entre o Oi Futuro Ipanema, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Favela Santa Marta.

Propostas diversas, lugares bacanas e realizadores “periféricos”. Isso me fez pensar na oferta e na distribuição de arte fora do eixo centro-zona sul do Rio de Janeiro. A produção criativa é intensa na zona norte e no subúrbio da cidade, mas há poucas vias de visibilidade para estes artistas juntas às comunidades em que vivem. Paralelamente à TransCarioca, malha rodoviária que vai ligar a zona oeste ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, é também relevante a criação de museus e de salas de cinema de rua com nomes de bancos para além da zona portuária.