
O tradicional cinema português sofreu grande
impulso na década de 90 com uma geração de novos cineastas empenhados na
produção de filmes de arte reconhecidos por seu forte caráter autoral.
Esse movimento recebeu a alcunha de Geração Invisível no livro Geração Invisível: Os novos cineastas portugueses, desenvolvido por discentes do Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior, na cidade de Covilhã. A pesquisa traça um panorama dos novos realizadores portugueses que filmam com recursos escassos, contra o tempo e o esquecimento.
No interior dessa renovação estão alguns cineastas que possuem formação comum na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e que merecem destaque.
João Salaviza nasceu em 1984 e dirigiu o seu primeiro curta Duas Pessoas aos 20 anos, assista-o aqui (http://www.cinemaportugues.ubi.pt/bd/info/2143686416), uma adaptação livre do escritor português Herberto Helder que já expunha a atmosfera tensa na qual o cineasta iria explorar suas tramas.
Não demoraria muito até que Salaviza lançasse o curta-metragem Arena, em 2009, filme que lhe expôs para o mundo ao ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, feito que nenhum realizador português conseguira até então. Assista ao trailer de Arena (https://www.youtube.com/watch?v=vNU8DSY5XaM).
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| Curta-metragem Rafa, 2012 |
No primeiro semestre de 2013, João Salaviza realizou uma chamada pública em redes sociais para selecionar atores e não atores para integrar o elenco do seu primeiro longa-metragem intitulado Montanha. O filme começou a ser rodado no mês passado.
Outro expoente da Geração Invisível formado pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa é Miguel Gomes.
Após uma filmografia prolífica e premiada de curtas-metragens, o lisboeta terá o seu mais novo curta Redemption exibido no Festival de Veneza no final de agosto, Miguel Gomes produziu três longas desde 2004.
Sua estreia A Cara que Mereces gira em torno de Francisco, um professor à beira da crise dos 30 anos. Na data do seu aniversário, Francisco adquire sarampo, fica de quarentena assistido por amigos e se vê induzido a uma série de questionamentos cômicos de sua infância. Uma comédia conduzida pela premissa; “Até os 30 anos, tem-se o rosto que Deus lhe deu: depois disso, tem o rosto que se merece”.
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| Tabu, 2012 |
Já o filme Tabu, lançado ano passado e ainda em cartaz no Brasil, segue o conceito da não linearidade do roteiro para contar uma história em dois capítulos onde primeiro a câmera registra os acontecimentos e depois ilustra a história narrada por quem a viveu, criando uma ilusão entre história factual e história contada ou possível. Tudo antecedido por um prólogo metafórico em que se registra também a história do início do fim do império de Portugal no continente africano.

