10 de agosto de 2013

Homem que é homem tem barba


Ai, se eu tivesse barba… eu seria o cara mais insuportável do universo. Duvido que depois dos 28 algo mais vá crescer. Aliás, minha dúvida seria mais genuína se eu estivesse coçando a barba enquanto refletia.

Não tenho nada contra e até gosto de ser quem sou, mas de vez em quando isso meio que enjoa. Ah, eu seria insuportável, tenho certeza, e em breve me internariam por esquizofrenia. Pra começar eu seria Dom Pedro, caminhando altivo enquanto olho os plebeus imberbes. Quando me cansasse, mostraria meu desgaste com uma barba despojada de Dr House. Começaria a lutar Kung-Fu, descoloriria e alisaria a pelagem pra ficar que nem o Pai-Mei. Viraria Cowboy às sextas, pra pedir meu Bourbon com mais estilo. Aliás, eu começaria a beber whisky, isso aí.

Tom Hanks em Náufrago.
Tenho absoluta certeza de que as minhas fotos de viagem seriam muito mais respeitadas se eu tivesse uma barba que nem a do Náufrago. Fiquei quase 4 anos na estrada e parecia que eu tinha voltado da padaria. Ah, sim, o sol ia descolorir as pontas, e eu faria tranças vikings pra mostrar que voltei diferente. Droga, tive que escrever um livro pra expressar o quanto mudei, quando uma simples barba até o pescoço já daria conta do recado. Por sinal, acho que eu seria considerado um escritor muito melhor se tivesse uma barba que nem a do Hemingway.

Acho que a barba superlativa os clichês masculinos, deixando tudo com mais cara de cena de filme. Quero uma barba cerrada ao estar de ressaca, ou em gomos desconexos em caso de depressão. Às segundas feiras eu estaria totalmente barbeado, radiante, mostrando que começo a semana cheio de gás. Sem o contraste da barba nojenta depois feita, me resta apenas trabalhar mais pra me mostrar eficiente, o que às vezes é demasiado cansativo, mais ainda numa segunda feira. Ai, eu seria afortunadamente ridículo, as crianças até me apontariam na rua. Usaria cartola, fumaria cachimbo, tomaria mais sopa. Ah, e o carnaval… eu seria Bin Laden, Obi Wan, Rei Leônidas, Nietzsche, o escambau.

Eu seria mais respeitado em qualquer círculo social. Não diria uma palavra sem antes medi-la coçando o queixo, até mesmo pra dizer “saúde” a quem espirra. Um cara que alisa a barba enquanto fala deve emanar muito mais autoridade. Sim, isso, autoridade, eu a teria de sobra, quem sabe conquistaria uma ilha no Caribe e faria minha própria ditadura.

Ai, se eu tivesse barba... Nem sequer teria escrito esse texto. Estaria numa montanha sinistra no sudeste asiático, morrendo de frio, feliz e quase morrendo. Aliás, declararia como inconstitucional que barbudos não soubesses escalar.