
O papel da fotografia no cinema é tão importante quanto este é para a arte quando falamos do registro de informações históricas, sociais e culturais. Apesar de ser um meio característico da era da reprodutibilidade técnica da obra de arte, ou ser o próprio fomento desse período, o “cinema” é o resultado do momento único de sincronia entre ator, discurso e câmera. Algo que talvez tenha tangenciado o foco crítico de Walter Benjamin em um de seus principais ensaios.
Quando o cineasta se coloca diante do assunto o cinema se inicia. No momento em que esse discurso é recebido a arte cumpre o seu papel. Quanto ao diretor de fotografia, iluminar uma cena é prestar atenção na forma a ser iluminada e perceber o que lhe atrai nela. Um exercício constante de observação. Assim como o amor, iluminar um objeto é o resultado entre o que se vê e o que se deduz.
A escola hollywoodiana nos situa no contexto civilizatório da imagem. Porém, no cinema, a beleza deve estar em segundo plano, em função da narrativa e da funcionalidade da imagem. Se um conceito manifestar beleza é um fato a favor. A feiúra pode sim revelar poesia.
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| Foto: Camila Camacho |
O cinema brasileiro vem experimentando momentos peculiares desde a sua retomada, em 1995, com produções que propõem a desconstrução dos modelos norte-americanos e, até mesmo, determinam seus próprios parâmetros estéticos. Excelentes experiências visuais que, como comunhões entre seus diretores, não foram raras durante os últimos anos de retomada da indústria cinematográfica nacional. Filmes como Carlota Joaquina, dirigido por Carla Camurati; O invasor, de Beto Brant; Amarelo Manga, de Cláudio Assis; Cidade de Deus, de Fernando Meirelles; Estômago, de Marcos Jorge; Iluminados, de Cristina Leal; e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, pontuam nossa prolífica e diversificada produção recente.
Frutos da liquidez na relação entre o diretor cinematográfico e diretor de fotografia. O primeiro diretor é um semideus, que pode mudar o mundo com a sua ideia. O segundo se guia pelo ímpeto inicial do primeiro e, em alguns casos, é o "único" guia estético de uma película. Da fusão desses dois gêneros distintos surge a emoção, o sentimento e o resultado, seja ele ficcional, documental ou experimental.
O fotógrafo se alimenta de arte, da literatura, da pintura, etc. São referências para a lapidação do seu trabalho. Seu produto é a arte para o cinema, e o cinema é a arte para os olhos da alma.

