
Olá, amigo! Bem-vindo à estrada! Puxa uma cadeira e pede um petisco enquanto vou buscar mais um copo. Já vai se acostumando, na beira da estrada a vida é assim: Quem chega é amigo, quem vai é lembrado e quem fica é livre pra dizer, pensar e ser o que bem entender. A próxima rodada é sua, essa deixa que eu pago.
Mas que mal educado, não me apresentei. Sou Ricardo Martins. Me defino como marketeiro por profissão, escritor por paixão e viajante por amor. Aos 22 comecei a viajar sozinho de bicicleta pela América do Sul, com apenas R$ 385,00 e uma curiosidade maior do que o mundo. Essa aventura durou três anos, onze meses e 21 dias. Hoje tenho 28 voltas ao redor do sol, publiquei um livro com as histórias de viagem e meio que ainda vivo como quem está na estrada, até mesmo pra ir na padaria. Já explico isso melhor, mas cadê o petisco? Você tem que provar o torresmo daqui, dá vontade de pedir a cozinheira em casamento. (Já o fiz, ela negou, tá se fazendo de difícil a danada).
Mas o que raios é viver como quem está na estrada? Simples. Imagina que a tendência é que a gente viva num “lento suicídio a que chamamos de vida” (parafraseando Nietzsche, adoro esse bigodudo). De vez em quando, tiramos um tempinho curto pra viver como queremos e sermos ao menos um pouquinho mais livres. A esse espaço reduzido de tempo o mercado dá o nome de férias, eu chamo de vida mesmo. Ao invés de vender meu tempo indefinidamente pra viver de vez em quando, vivo do jeito que me faz feliz e vendo meu tempo quando julgo necessário. A vida de beira de estrada é um estilo e não uma localização, portanto. Ih, não vai largando o emprego não! Relaxa e bebe mais um gole, que povo tenso! Apenas saiba que aqui nessa mesa você é livre pra ser o que quiser, não o que quiseram por você. Tintim! Não precisa jogar pro santo não, suja o chão, gruda tudo, dá mosquito, desnecessário. Tanta gente na África precisando e você desperdiçando cerveja! Ah, nem venha com puritanismo de ser politicamente correto, aqui se a piada for válida ela é contada, sem frescura.
Opa, olha o torresmo. Sensacional, não falei? Enquanto come, conta algo da tua vida! Nada de contar vantagem, estamos fartos de semi-deuses (essa é do Pessoa, mas vale aqui). Aqui nessa mesa você é livre pra dizer o que bem entender, ser idiota, inteligente, o escambau. Apenas evite ser indiferente, a vida é curta, como as férias. Aqui toda semana é um grande sábado, todo mês é de férias, toda noite é sexta.
Beira de estrada é isso aí, caro amigo. Vou dar o melhor de mim, em troca quero o melhor de você. Até que o primeiro levante da mesa (banheiro não conta), nada é mais importante do que esse papo. Pede aí a próxima rodada, o torresmo vai esfriar.

