Eu sempre soube que era tudo mentira, mas eu quis acreditar na tua poesia.
Eu nunca te quis e agora estou aqui.
Rendida, vendida.
Eu devia ter tomado mais cuidado, mas quando olho nosso retrato eu caio naquele precipício chamado passado.
Mas o passado só tem duas semanas.
Naquela noite eu estava de pé quando você me arrastou pra sua cama.
Teus dedos foram tão sacanas.
Minha boca até ousou dizer que te ama.
São tantas mentiras sinceras boas de ouvir nessa nossa trama.
Eu não queria, pois eu já sabia que esse teu sorriso me dominaria.
Sua mordida na minha nuca.
Agora eu me pego aqui largada nessa esquina suja, lembrando de todos os teus toques naquela penumbra.
Eu te odeio tanto.
Eu te quero tanto.
Mas eu preciso ser adulta, vou te esquecer.
Deitar-me com o próximo em qualquer espelunca.
Vou esquecer teu sorriso.
Tua boca.
Tua bunda.
Tua rua.