Ih, rapaz, hoje é dia de ser sensível, olha que viadagem, mas que se dane. Nessas indas e vindas de beira da estrada, jamais soube a melhor maneira de me despedir, ou jamais soube o que dizer quando sentia ou diziam que sentiam saudades. A cada despedida, ia matutando pela estrada a melhor maneira de descrever tudo aquilo. Foram quatro anos escrevendo, verso por verso, até sair isso.
Canção pra quem fica
Se acaso a saudade, valente e voraz
Sufoca teu peito e te amarga os sentidos,
Escute a canção que faço pra nós
Que cruza as estradas em uma só voz
E encurta distâncias após a partida.
Escute este vento a bater no teu quarto,
Que invade tua a cama e beija tua face,
Que leve te leve pra onde eu estou
Que vem de tão longe e me alcança onde for.
Contemple este céu, que é o mesmo daqui,
Tão cheio de estrelas, tão cheio de si
Que une os espaços por onde os pés pisam,
Que estende os abraços pra perto de ti.
Escute a eloqüência que o silêncio tem,
Escute a saudade que com o vento vem
Que vai-se o choro e faz-se a música,
Que vai-se a música e faz-se o sorriso.
Escute a canção que faço pra nós,
É tudo o que quero, é tudo o que tenho.
Na estrada que segue, na noite que cega,
É o som da chegada, sem despedida,
É o som da partida, da volta sem ida.
Viajar é uma arte refinada, cambada! Não somos só rostinhos bonitos, pô!!! Hahaha
Abraços e bons ventos. Na próxima, falaremos de cerveja. Prometido!
